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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

"O Rock Rendez Worten veio despertar o bichinho do Rock em muita gente"

Os Agressiv são uma banda de Espinho, ainda bastante recente (com menos de um ano), mas já com bastantes histórias para contar. Nasceram como uma verdadeira banda de garagem em todas as acepções que a expressão possa ter e é assim que continuam o seu percurso. Fomos falar com eles por duas razões fundamentais: o Rock Rendez Worten, concurso onde participam, e o 13º Festival de Música Moderna de Gondomar, onde actuam na próxima sexta-feira (dia 22).

A entrevista foi gravada pelo própria banda em tempo real. Com o intuito de não lhe fazer perder o ritmo optamos por fazer uma edição mínima. A entrevista foi feita enquanto desmontavam um amplificador e é um verdadeiro exemplo do trabalho anónimo que centenas de bandas desenvolvem por todo o país. Aqui fica a conversa em discurso directo, a qual agradecemos, desde já, à banda.

Quem são os aGRESSIV?

Rui (R) - Olha...
Ben (B) - Somos nós.
R - ...somos nós... (risos)
(pragueja contra o amplificador)
Carlos (C) - Nós, os Agressiv somos quatro gajos.
R - Pá...
B - O Enri não tá cá...
C - Três?
R - Três.. hoje somos só três.. (risos)
B - Três e meio!
(de novo a praguejar contra o amplificador)
R - (risos) Somos quatro.
C - ... e fazemos rock!
B - Não... outra vez: Os Agressiv são..
R - São quatro bêbados de Esmoriz..
C - Dois de Paramos e um de Espinho!...
R - ...que se curtem, são amigos dos copos e gostam de fazer Rock'n'roll!...
B - E de meninas! (risos)

Quando nasceram como banda?

B - Depois de uma noite de muito álcool a tocar até às seis da manhã numa jam session..
R - E tínhamos lá um clube de strip muito próximo...
C - Ya!.. (risos)
R - E a tocar para todo o tipo de pessoas: desde prostitutas a bêbedos...
C - (risos) Mas é verdade!... Foi mesmo.

Como está a ser a recepção ao vosso EP "Iguana"?

R - Pá...
B - ..Tiram-nos fotos!..
C - (risos)
B - ...e pedem autógrafos... e o número de telefone...
R - ..números de telefone, ya, ya...
C - É... (risos)... brutal... (risos)... verdade. Mas também nos tem ajudado com os concursos...
R - ...porque o pessoal liga muito ao som.
C - Antes não tínhamos hipótese com as gravações caseiras!...
R - ...E pedem-nos palhetas!...

Que influências musicais tem este EP?

R - Tem Rock'n'Roll, man!... Ah, influências.. pá... muita m#*§@!
C - Humm...
B - Motorhead!
R - Motorhead, Nirvana, Pantera... mais... Faith no More..
C - Alice in Chains.
R - Exactamente!.. E Tool!...
C - Também tem Ben.. (a brincar com o Ben)
R - Ben, pois!...
B - Tem Led Zeppelin, acho eu, não é?...
R - Yah! E Doors... e Jorge Palma... Pearl Jam!... Pearl Jam tem!

Myspace dos Agressiv

Têm participado em alguns concursos de bandas de garagem. Que aspectos gerais têm a destacar positiva e negativamente desse tipo de concursos?

R - É assim: negativamente, temo-nos a queixar do gasóleo...
C - (risos) Sim, mas é verdade. São despesas...
B - E do material que desaparece...
R - ...para não falar em gajos que ficam sem gasolina...
C - ...a meio do caminho, como aconteceu ao Ben e a mim em Aveiro..
B - Pois foi, no Coma...
R - Outra coisa, é que estamos sempre 'tesos'(risos). Tocamos sempre longe..
B - A parte positiva...
R - A parte positiva é que nos pagam uns copitos...
B - Yah...
R - Ficamos lá sempre bêbados e esquecemos o resto.
C - Assim custa menos quando ouvimos que não passamos à fase seguinte (risos)!... A quem liga a isso, pelo menos. Sim mas a nível da mecânica dos concursos e da nossa aprendizagem tem sido bastante instrutivo.
B - Temos aprendido bastante nos concertos.
C - Alguns deixam um bocado a desejar, mas poucos.
R - Mas temos de tocar nos sítios onde podemos!...
C - E há coisas porreiras... Estou-me a lembrar agora de quando nos chamaram para o "Tiro ao Rock" e não estávamos nada à espera! Surpreendente.
B - São todos porreiros, em todos eles temos aprendido coisas que nos fazem crescer. Afinar os baixos, e coisas do género, exactamente antes do concerto (risos)... entre tantos pormenores.
R - Também foi brutal em Aveiro, onde estivemos num palco enorme. Parecíamos umas estrelas.
C - Lixado é que não percebíamos (quase) nada do que estávamos a tocar!...
R - Ah!.. e isto é obrigatório: a gente já sabe o que é um 'backline' (risos). E agora não falhamos.
C - Pois, não falhamos, o material é que falha, estoura!! (risos)

O próximo será o de Gondomar. Qual acham que é o papel deste tipo de concursos para o crescimento de uma banda que nasce do nada?

R - Humm.. convívio com outras bandas.
C - Isso é muito fixe!
R - ... isso é muito importante.
B - Pá, primaças!.. (risos)
R - Experiência. E isso faz-nos sentir... faz-nos evoluir como banda.
C - E mesmo que sejam três ou quatro gatos pingados a assistir, acabam por ficar a conhecer a banda, num sítio diferente de onde vimos, o que também é bom. Melhor do que quando enviamos um mail e nem se dão ao trabalho de o ler ou convidamos alguém para o nosso myspace e nem ouvem as músicas.
R - Exactamente. Ou bem ou mal, é sempre bom que nos ouçam a tocar!... Dos 14 aos 18 anos.
B - É melhor dos 18 aos 24. (risos)
C - E para o crescimento de uma banda como a nossa, a participação em festivais é muito fixe! Não é?
B - Diferentes públicos, diferentes lugares, diferentes palcos, o mesmo som...
C - ...o som dos Agressiv.

(Notícias n'A Nova Música Portuguesa sobre o 13º Festival de Gondomar)

Quais as vossas expectativas enquanto banda para o Festival de Gondomar?

B - Sempre a 'rockar'!
R - Cerveja, miúdas e Rock'n'roll!...
B - Sempre a 'rockar'!.. Não é preciso mais nada.

O que é que podem prometer a quem vos for ver no próxima sexta-feira?

R - CD's a 2€ e meio. (risos)

O que acham do cartaz? Quais as bandas que não vão querer perder e quais as vossas favoritas à passagem à final?

B - Estamo-nos completamente nas tintas para isso...
R - Não sei, não as conheço.
B - Não. Para mim não existem bandas favoritas, nós queremos é ouvir coisas diferentes que nos inspirem. E conviver com os resto do pessoal, claro!
C - Não é uma banda que vá lá tocar, mas estou curioso porque acho que vamos lá ter os Arames Farpados a assistir. E isso vai ser fixe porque vamos aproveitar para os conhecer também. Parecem ser gajos porreiros.
R - É verdade.. os Happy Mothers estão lá não estão? Já tocamos com eles...
C - Estão, eles são bons. E também estou curioso com os Ashes. Já me tinha surpreendido com as misturas deles numa pesquisa a bandas de garagem há uns meses.

(Myspace do 13º Festival de Música Moderna de Gondomar)

Mudando de assunto, neste momento estão também a participar no Rock Rendez Worten. Este é um concurso bastante inovador: todas as bandas podem participar, é um festival verdadeiramente a nível nacional… O que acham que veio trazer de novo ao panorama musical português, nomeadamente a todas aquelas bandas que por vezes não têm muito por onde se dar a conhecer?

B - Na minha opinião, acho que isto veio despertar de novo o bichinho do rock, até porque apesar de haverem muitas bandas, já há algum tempo que.. é bom ver chavalinhas e o pessoal mais novo a curtir-nos, e a curtir rock novamente. É como se viesse aí uma nova geração de pessoal que gosta de rock.
C - É melhor do que se estarem a virar para o pimba. E eu também não gosto muito de electro. Por isso sim. Que despertem e vejam que se faz muito rock em Portugal e bem ao lado da casa de cada um, pois é aí que as bandas vivem, espalhadas pelas ruas onde há outros tantos que curtiriam ouvi-las. E aperceberem-se de que podem gostar disso. É que nunca tivemos muitas pessoas a assistir aos nossos concertos...
R - Nós só tocamos para quem gosta de nós. Quem não gosta acaba por saltar fora.
C - E só de imaginar metade das pessoas que votaram em nós se fossem a aparecer num concerto nosso a curtir a nossa música... há bandas que não têm as mesmas hipóteses que nós. Nós ainda temos aqui Aveiro e o Porto não muito longe..
R - Sim, pessoal geograficamente afastado que nunca ninguém ouviria falar deles. Que se sentem deslocados...
B - Apesar de que acaba por ser sempre difícil para eles. Mas é mesmo isso: é uma mística Rock. O pessoal está-se todo a reunir no mesmo sítio, mesmo que virtual.
C - Pois, a brincar a brincar já trocamos elogios com bandas que a gente nunca viria a conhecer de outra maneira...
B - Claro.

(Sítio do Rock Rendez Worten)

Vocês estão neste momento em 5º lugar na categoria Rock. É um lugar que dá acesso à próxima fase. Que expectativas têm no concurso?

R - As mesmas que tivemos até agora.
B - É a tal cena da mística. Nós só queremos tocar. E se conseguirmos tocar num sítio onde grandes bandas tocaram... é algo que nos serviria sempre de grande motivação.
R - E é algo muito importante, um marco para nós como banda...
B - ...e os 'olheiros'.
C - É, se acontecer, também pode ser importante como holofote. Todas as bandas tentam tocar o máximo possível, também para ver se alguém olha para elas. Todos curtíamos que os nossos CD's fossem comprados por mais pessoas e que não tivéssemos de ser nós a impingi-los. Afinal de contas, se fossem de graça, simplesmente dávamos os CD's!... E de certeza que todas as bandas sabem do que estamos a falar.


O que acham dos vossos "adversários"? Em que bandas têm votado ultimamente?
B - Não temos adversários.
R - Estão lá bandas muito boas. Nós apenas tentamos desenrascar-nos lá no meio.
C - Num dia ouvimos uma banda, no outro outra. Acabamos por votar em muitas bandas até porque não podemos dizer que uma banda/autor dos que lá estão é mau.
R - E se os fôssemos a descobrir para descriminar e apontar o dedo... pff...
C - São imensos estilos e nem sempre sabemos avaliar todos, mas há muito por onde se reconhecer. Umas vezes é pelo valor do som, outras é pelo valor do esforço. Isso percebe-se.
B - Infelizmente muitas nem são ouvidas.
C - Mas dos que estão connosco... os Arames Farpados têm piada, mesmo a nível criativo e parecem ser porreiros. E para não falar no factor idade...
B - ...e os Melodraw.
R - Também há bons para trás...
B - Os Y?.
R - Ou os Kandia!.. Os Kandia também.

Em termos mais gerais, o que têm ouvido ultimamente?

B - Vamos fazer como nos tops (risos):
B - The Covenant, Smashing Pumpkins, Manowar, John Lee Hooker, Muddy waters, Audioslave...
R - Mesa, Obituary, Damage Plan, Overkill, Nick Cave, Orgy, Mind Effect...
C - Frank Sinatra, Cult of Luna, In Flames, Flint, Bloody Disgrace, Mosh, If Lucy Fell, Mata Ratos...
E - Doors, Radiohead, Bob Marley, Herbie Hancock, Jimmy Hendrix, Primitive Reason, Jorge Palma, bastante fado da nova geração que aí está...

domingo, 6 de julho de 2008

Skewer: "O nosso álbum tem tido boa recepção no estrangeiro"

Os Skewer lançaram recentemente "Whatever", o novo trabalho da banda do Barreiro do qual não se pode dissociar o excelente vídeo do single de apresentação "Stayed". Fomos à procura de conhecer melhor a banda, as suas expectativas quanto ao novo álbum ou a sua afirmação lá por fora. Pelo meio, uma conversa em tom sereno, onde não se deixa de passar um olhar sobre o panorama musical em Portugal.

Quem são os Skewer?
Valério- Os Skewer são Rui Guerreiro (baixista), o João Galrito (guitarrista), Igor Pedroso (baterista) e eu, Valério Paula, vocalista e guitarrista.

Como surgiu a banda e o nome?
Valério- O nome não lembro, mas posso dizer como surgiu a banda. Desde 2003 um amigo dizia-me que deveríamos montar uma cena rock. Em 2005 acabamos por pegar em algumas demos e começamos a ensaiar algumas músicas dessas demos. Em 2006 gravamos uma DEMO/CD para a divulgação da banda e foi a partir daí que surgiram os Skewer.

Rui – Pois essa parte já é com o Valério, ele é que já é o avozinho da banda (risos).

Skewer - João, Valério, Igor e Rui

Que influências podem ser ouvidas na vossa música?
Skewer- Rock, Indie Rock, Rock Alternativo, Grunge Rock...

Vocês lançaram recentemente o vosso segundo trabalho, "Whatever". Para quem não vos conhece, como definiriam o álbum e o que podem prometer a quem o queira ouvir?
Valério- Na verdade, o "Whatever" é o nosso primeiro trabalho oficial com uma editora. É um pouco de rock à moda antiga, não muito antiga, entre os anos 90 e inícios do novo milénio, como podem notar em alguns temas como "Cyborg Insurrection" e "Save Me From Myself", ali pelos últimos minutos.. Definiria este trabalho como um álbum rock.

Igor- Na minha opinião, acredito que este novo álbum está mais maduro. Claro que temos muito que trabalhar, mas penso que estamos a construir boa música. A única coisa que podemos prometer é que as músicas são feitas com paixão, sentimos o que tocamos e gostamos do que fazemos.

Quais são as vossas expectativas em relação ao álbum?
Valério- Bem, o EP foi a nossa passagem para as rádios, para concertos com mais condições, deu-nos a conhecer mais pessoas e até chegarmos à televisão. No entanto, estamos sempre a querer dar um passo em frente e a nossa próxima meta é tentar em 2009 os Festivais de Verão, a ver vamos se concretizamos mais este ponto na nossa pequena carreira. Afinal os Skewer têm apenas três aninhos...

Igor- Esperamos que acima de tudo o público goste e consiga-se identificar de alguma forma com o trabalho que estamos a desenvolver.

Como está a ser recebido em termos de vendas, reacções nos concertos ou mesmo pela crítica?
Valério- Sendo sincero, as vendas em Portugal não são boas, os países onde estamos a vender mais são os EUA e no Reino Unido. As reacções nos concertos têm sido das melhores possíveis, visto termos mostrado muito material do próximo trabalho e pelo "Whatever" ir um pouco mais longe que a Demo "I Need Something Stronger" de 2006. E as críticas ao EP não poderiam ser melhores, é só visitarem o nosso site e lerem... Mais um pouco e mandava a Madonna ter cuidado!...

Download gratuito de "I Need Something Stronger"

Igor- Tentamos encarar sempre tudo com um sorriso e com a cabeça erguida. Até hoje temos tido críticas boas ao nosso trabalho, os concertos tem corrido bem e estamos a trabalhar para que corram sempre melhor.

Na sequência do lançamento deste álbum, como está a vossa agenda para o verão? Sabemos que a estão a preparar e à procura de concertos. Em que ponto estão?
Valério –Temos procurado e temos ouvido propostas, porém muito pessoal pensa que andamos a pedir muito dinheiro para tocar, não sei o que se passa... Nós continuamos os mesmos nesse sentido, tocamos pelo prazer de tocar e não para tentar ficar ricos. Em breve vamos anunciar algumas das datas que temos para fins de Agosto e Setembro.

Rui – É sempre difícil marcar datas devido aos constantes festivais de Verão que há, pelo que para os Skewer esta época de calor vai ser um pouco menos agitada.

Já disseram que têm vendido mais nos EUA e em Inglaterra... Como vai a vossa aventura no estrangeiro?
Valério - No estrangeiro o CD tem tido boa recepção. A Believe tem-no vendido para tudo o que é plataforma de música. Sobre a edição do CD recebemos uma proposta do Brasil e outra do Reino Unido, mas ainda estamos a estudá-las, porque estamos a ponderar se não seria melhor apostarmos num novo trabalho e de preferência numa editora nacional, já que temos a Believe lá fora. Quanto a tours, vamos fazendo as datas e no final do ano diremos que esta foi a tour de promoção do álbum. Marcar datas todas seguidas nunca dá certo, aparecem muitos problemas de incompatibilidade de horários, entre outros.

João - Voltando um pouco à "aventura no estrangeiro", temos tido contactos de algumas bandas de fora para organizar concertos cá e lá, mas nunca ficou nada certo, portanto acho que ainda não chegou essa altura. Mas chegará!
Skewer

Como tem sido o vosso processo de amadurecimento enquanto banda? Entre concertos, crítica, elogios, desilusões... Como têm digerido tudo isto?
Valério - A cada ensaio a cada concerto e a cada dia que a banda está reunida, tentamos cada vez mais ouvir-nos uns aos outros, sem passar por cima de ninguém. Tentamos sempre trabalhar a ideia de cada membro. Quando ocorrer alguma desilusão mais séria, tentaremos sempre ver onde foi que falhamos, para não acontecer novamente e assim a banda vai sobrevivendo. Sobre os elogios e as boas criticas, também não os deixamos subir à cabeça, pois sabemos que há muito que trabalhar. Estamos em Portugal e se não estivermos em constante desenvolvimento no dia seguinte ninguém lembra de ti, por isso tornei-me um bastante crítico no que faço. Tento sempre aperfeiçoar as coisas. E assim vamos digerindo tudo da melhor forma possível.

João - Às vezes torna-se custoso ver que os nossos esforços caem um pouco no esquecimento e não sentimos retorno de todo este trabalho e dedicação, mas sabemos que é isto que queremos e não iremos desistir.

Como nasceu o vosso vídeo? De onde partiu a ideia?
Valério - A Omelet Productions viu um concerto da banda em 2007, nas Festas do Barreiro, entrou em contacto connosco logo após o concerto e perguntou-nos se estaríamos interessados em fazer um videoclip... E a partir daí começamos a ouvir as ideias da Omelet até ao ponto em que nos mostraram o produto final: "Stayed" em vídeo. Gostamos desde o primeiro momento! "Stayed" foi a música escolhida, porque foi o single de apresentação do "Whatever".

Skewer Stayed (Official Video)

Quanto tempo demorou e ser feito e quem o fez?
Valério - Para ser sincero começou em Agosto de 2007. Entretanto houve alguns problemas durante a renderização, depois o PC teve vírus , perdeu-se tudo e, mesmo depois de tantas dificuldades, em Maio de 2008 mostraram-nos o resultado final. Em Junho começamos a divulgação do vídeo que foi logo adicionado ao "Myspace Portugal" em exclusividade.. Isso foi muito bom para os Skewer, foi de grande ajuda na promoção ao "Whatever".

Para vocês deve ser quase um filho, até porque está extremamente bem feito e é uma imagem de marca da banda numa altura que se querem impor em força...
Valério - Sim, mas vendo bem a esta distância acho que ficaram alguns aspectos por melhorar e outros por acrescentar. Sou muito crítico, estou sempre a querer melhorar tudo, porque sabemos que o pessoal que trabalha critica. Vai ver o que está bom, mas ainda mais o que está menos bom. Porém, para minha surpresa, as críticas têm sido excelentes e espero que o nosso próximo passo seja tão bem elogiado.

A internet, mais concretamente o myspace, tem-vos facilitado a vida? Como têm lidado com estas novas tecnologias?
Valério – O MySpace e o Hi5 têm sido os nossos maiores aliados na divulgação dos Skewer, estamos a ter uma quantidade muito grande de visitas ao site e já chegamos a ficar quase uma semana no 3ª lugar do top do MySpace, coisa que nunca na minha vida poderia imaginar... E isto apenas com o nosso esforço a convidar o pessoal a conhecer o nosso myspace e pedindo aos velhos e novos amigos para passarem a mensagem. Claro que não podemos esquecer alguns apoios que temos, alguns deles que já se tornaram grandes amigos nossos..

Myspace dos Skewer

Por outro lado a internet tem muitas vezes alguns efeitos preversos. Por exemplo, a pirataria ou mesmo a massificação da música. Por vezes não sentem que há, por assim dizer, música a mais? Perguntamos isto porque, principalmente com o advento do myspace, há quase infinitas possibilidades para ouvirmos novas bandas e músicos e, por vezes, poderá ser difícil fazer a diferença...
Valério - Nunca pretendemos ser os próximos Placebos, ColdPlay ou Nirvana... Só queremos fazer a nossa música e ter algum pessoal a gostar dela. Se for crescendo a quantidade de pessoas isso é bom, agora se começar a diminuir é que seria muito mal. Teríamos que descobrir o que se estaria a passar... Mas o que me deixa mais feliz é o apoio e as palavras das pessoas que sentem vontade de conversar e isso faz-nos ter vontade de continuar. Sobre a infinidade de bandas isso cada vez ficará pior visto a facilidade de gravar um CD. Mas não o vejo como um mal, pois quanto mais música existir mais criatividade existirá, mais coisas novas vamos aprendendo. A humildade tem que residir aqui acima de tudo!

Igor - Sim é muito chato "piratearem" as músicas, mas já se sabe que toda a gente o faz. Acabamos por ficar um pouco mal porque as pessoas fazem download das músicas em vez de as comprarem. Para as grande bandas poderá não ser um problema tão grande, mas para as pequenas recém criadas é um grande prejuizo. Pode até causar o fim prematuro de uma banda...

Rui – Acho que a minha opinião é partilhada com qualquer outro músico e elemento da banda: queremos simplesmente deixar a nossa marca a toda a gente que goste do nosso trabalho. Para que quando alguém ouvir uma música nossa na rádio poder dizer de imediato “isto é Skewer”. É claro que, à medida que o tempo vai passando, por vezes é um pouco difícil inovar, mas não é nada que não se consiga com muito esforço e dedicação.

Como acham que anda o panorama musical no nosso país?
Igor - Para bandas estrangeiras está tudo bem: têm o que querem e, verdade seja dita, merecem. Mas também vejo que em Portugal não se aposta muito na qualidade das bandas portuguesas e atrevo-me a dizer que há muita banda portuguesa que tem o mesmo valor ou mais que algumas estrangeiras e a maioria ninguém sabe que existe...

Rui - A crise acaba por afectar todos. Os bares muitas vezes não dão concertos pois as bandas podem ser consideradas uma despesa extra. Depois, pegando um pouco na pergunta anterior a Internet da mesma forma que apresenta a banda a “nú” tira também alguma da curiosidade do público. Já não há aquela vontade de ir ver uma banda ou de comprar um CD de vez em quando, só pela curiosidade como acontecia muito até os anos 90... Mas as coisas são assim e “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” (risos).

João - Hoje em dia posso dizer que me sinto orgulhoso das bandas e artistas que temos no nosso país. Felizmente começa-se a fazer sentir uma mudança de mentalidade e existem bandas com muito boa qualidade a conseguir surgir no panorama cultural do país. E isto em todos os espectros musicais: Metal, Rock, Pop, Tradicional... O ambiente está a fervilhar de novas ideias e acho que poderemos vir a ter aqui uma vaga de boas bandas com grandes possibilidades de sucesso além-fronteiras. Isto, claro está, não seria possível se não houvesse essa consciência por parte do público, que tem estado com as bandas e apoia os seus artistas favoritos. Mesmo assim ainda se sente alguma dificuldade hoje em dia de fazer o povo sair de casa e ir descobrir bandas novas e curtir um concerto. Existem concertos a toda a hora em todo o lado e muitas vezes essas pessoas não têm noção do que é que uma banda sacrifica para conseguir dar um concerto. Muitas vezes com más condições e sem ver o seu trabalho recompensado. Felizmente o gosto pela música continua a falar mais alto.

O que têm ouvido ultimanente?
Valério- Ultimamente tenho ouvido muito o "Lady Cobra" de Riding Panico e o Emotional Cocktails dos YSGA.

Igor- Lamb of God, Machine Head, Hatebread, Graveworm. Nacional os Skewer e Switchtense.

Rui – Para além de rock sou também muito virado para o metal. Portanto tenho ouvido coisas que vão completamente ao extremo, desde um bom Death Metal (ex: Necrophagist), até ao rock (ex: Led Zeppelin).

João- Também tem rodado o "Lady Cobra", o novo de ThanatoSchizO "Zoom Code" e também o último dos Boris, "Smile".

Já agora, como anda o rock no Barreiro?
Valério- O Barreiro já não tem espaços para as bandas actuarem, o pessoal limita-se a estar e a beber uns copos e pouca coisa acontece. Já tivemos dias melhores...

Alguns de vocês tem projectos musicais paralelos?
Valério- Não tenho tempo, visto Skewer levar todo o meu tempo, porque temos que estar em constante procura e sempre de olhos abertos. Muitas vezes as notícias de alguma oportunidade chegam-me com atraso e para que Skewer continue é preciso muita dedicação. O resto do tempo tento dedicar à família.

Igor- Eu tenho um projecto ainda em formação com uns amigos. Estamos a tentar formar uma banda de Gotic Metal...

Rui - Além de Skewer tenho mais uma banda de Death/Thrash Metal. É ainda um projecto ainda com poucas bases, mas que, a meu ver, terá algum futuro.

João- Eu sou algo "musicólico"... Neste momento tenho uma banda de Rock Experimental/Alternativo, os Amarionette, tenho um projecto em andamento de Doom Metal, chamado Mourning Lenore e entrei recentemente como baixista para uma banda já com algum nome na Margem Sul, os Veinless.

Com quem gostariam de tocar uma música?

Valerio - Em Portugal, com os Riding Panico e estrangeira... Nirvana!... São complicadas as minhas escolhas...

Igor- Moonspell, Nightwish ou Lars Ulrich...

Rui – A nível nacional escolheria sem dúvida You Should Go Ahead. Já no panorama internacional possivelmente os britânicos Terrorvision.

João - Já que estamos numa de mencionar bandas passadas, gostava de ter a oportunidade de ver Ornatos Violeta de volta ao activo...

Desde já obrigado pelo vosso contacto e, esperamos nós, até breve...
Valério - Sempre! Nós é que agradecemos e esperamos que isto seja apenas o começo de uma longa amizade, embora sem beijinhos calientes!:)

Rui – Nós é que agradecemos pelo interesse e pela vossa disponibilidade!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

"Entrevista com...": Pitnoise

Os Pitnoise são uma das bandas finalistas do Rock in Santos e é com eles que terminamos a nossa ronda de entrevistas com as bandas que aceitaram o desafio do blog para uma pequena troca de ideias. A ideia do blog era dar a conhecer as bandas finalistas do Rock in Santos e do Rockastru's e, principalmente, pôr um maior número de pessoas a ouvir a música destas bandas. Esperamos ter conseguido, de algum modo, atingir o objectivo. Obrigado a todas as bandas que acederam a esta conversa e desejamos a todas um GRANDE concerto e uma GRANDE noite de rock!

Quem são os PitNoise?
Os PitNoise são o Bruno na guitarra solo, Chris na voz feminina, Johny na voz masculina, Lança no Baixo, Ricardo na guitarra ritmo e Tiago na Bateria. Somos uma banda com influências tão diversas como Incubus ou Bullet for my Valentine mas sempre à procura de deixar um cunho originaal em cada música. É essa a razão pela qual optamos por ter duas vozes "opostas" em palco.
Somos seis pessoas muito diferentes, mas com o mesmo sonho, o que se traduz nas nossas músicas: uma diversificação de melodias e de temas mas sem nunca perder um fio condutor que as una. Somos uma soma de partes mas andamos sempre à procura da essência do conjunto porque nascemos de uma mescla de gostos e influências e nunca estivemos tão perto de a encontrar. Somos uma banda una mas diversificada tal como os gostos da actualidade que passam por não se ouvir só uma coisa. É a cultura do mp3.

O que têm gravado até agora?
Infelizmente o único trabalho que temos gravado é o nosso primeiro EP já com dois anos, o que o torna desactualizado em relação à nossa sonoridade actual.

Têm projectos em vista para um futuro próximo?
A gravação e edição de um novo EP e ou CD até ao fim de 2009 e a gravação de um novo videoclip oficial da banda.


Que importância acham que um festival como o Rock in Santos tem no crescimento de uma banda como a vossa?
É estimulante ver o público reagir e votar num concurso deste género. Dá mais garra à banda de cada vez que passamos uma eliminatória, porque sabemos que há boa recepção por parte do público e que para ganharmos é porque o nosso espectáculo é aliciante. Além disso, a vitória num concurso (qualquer que seja) é sempre importante para uma banda nem que seja em termos de ego geral dos membros porque neste meio perder o ânimo é muito fácil e são estas coisas que nos devolvem a força para continuar a lutar. Por fim, qualquer prémio é sempre bem-vindo para uma banda de garagem...

O que acham que têm de diferente das outras bandas presentes na final do Rock in Santos que possa dar-vos vantagem? Por outras palavras, o que acham que têm de melhor para oferecer ao vivo?
Nós somos uma banda que vive para os concertos ao vivo, fazemos tudo para dar ao público o melhor espectáculo possível, quer sonoro quer visual. Procuramos ser uma banda enérgica que envie energia para o público e que os faça sair do concerto a sentir que assistiram a um grande espectáculo. Além disso, penso que temos uma boa sonoridade que, apresentando algum "peso", não deixa de ser extremamente audível para um público mais vasto. Contamos ainda com duas vozes, uma masculina e outra feminina o que nos permite jogar com as vozes de uma maneira muito pessoal, o que traz sempre algo mais à sonoridade que nos caracteriza. Por fim, dado termos influências tão díspares, todas as nossas músicas têm algo de diferente sem nunca perder um fio condutor e penso que isso será algo muito interessante para o júri.

Se não estivessem a concurso, qual ou quais seria(m) a(s) vossa(s) banda(s) favorita(s) para a vitória na final de todas as que passaram pelo festival?
Os Aykien ou os Epifania.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

"Entrevista com...": The Profilers

Os The Profilers são uma das bandas finalistas do Rockastru's do próximo sábado e já não são propriamente uns desconhecidos, apesar da sua ainda curta carreira. Fomos ao encontro da banda para os conhecermos melhor e para sabermos em que ponto estão e como projectam o seu futuro. Pelo caminho, a inevitável final.

Para quem não vos conhece, quem são os The Profilers?
Antes de mais, um grupo de amigos de (muito) longa data, com uma coisa em comum: o amor incondicional pela música. San, a vocalista; o Mr. Big no baixo; nas guitarras Fat Franco e Mr. Night; Lieu-Tenant Frank nas teclas e The Maniac na bateria… por vezes o Dj. Pitosga na percussão.


Qual a origem do vosso nome?
A música, a estética, o nome… The Profilers. Quatro dos membros da banda tinham outra banda na altura e, para que as coisas não se confundissem, achamos por bem que cada um de nós deveria apresentar-se através de um “alter ego”. Como tal, criamos um perfil para cada um dos elementos e talvez tenha sido por isso, mas não nos recordamos bem. Também havia uma série, de que a San era fan, “Profiler”... Enfim, soava bem e achámos que estava de acordo com a estética e ambientes sonoros que estávamos a criar.


Que influências são visíveis na vossa música?
Todas as bandas e músicas de que todos nós gostamos. Do jazz ao blues, do velho rock and roll à world music, da bossa ao fado, and so on, and so on…


São ainda uma banda com pouco mais de um ano, mas têm tido uma ascensão bastante interessante, a nosso ver, até porque não têm editora. Qual a importância que encontram nos festivais para bandas de garagem como o Rockastru’s? Fazemos esta pergunta uma vez que, ao contrário de muitas bandas que ganham esse tipo de festivais e, a seguir, quase desaparecem, vocês têm aparecido cada vez mais devido a vitórias consecutivas nesses mesmos festivais.
Para quem não tem discos no mercado é difícil ter um feedback próximo do que se pode chamar crítica, bem como ver o trabalho avaliado imparcialmente. O público dos concertos começa por ser formado por amigos e conhecidos, muito importantes, cruciais mesmo no início de carreira, mas cuja opinião dificilmente é de todo imparcial. Estes eventos, cujos organizadores felicitamos e agradecemos, servem para expor o trabalho a opiniões externas e proporcionam alguma projecção. Para nós, a decisão de concorrer a cinco / seis que consideramos importantes foi consensual e tomada no sentido de termos um barómetro da reacção ao nosso trabalho. Essa foi a motivação. Os resultados foram uma consequência, muito boa, na nossa opinião. Percebemos que o ecletismo e diversificação das sonoridades que estávamos a criar e a tocar e sobre os quais construímos a nossa identidade, eram uma aspecto positivo, mas, acima de tudo, fizemos muitos amigos, entre bandas, organizações e o demais pessoal envolvido. No fundo, acho que estes eventos são importantíssimos, não só para chegar ao público e ver o trabalho avaliado, mas também para entrar no circuito da nova música portuguesa. Quanto a desaparecer, acho que isso por vezes de deve a questões de logística e disponibilidade, o que é uma pena, porque se perdem projectos com grande potencial. No nosso caso, o facto de sermos amigos desde que nos lembramos, a juntar aos bons resultados que temos obtido são uma motivação extra para dedicarmos cada vez mais tempo a fazer aquilo que mais gostamos e, como somos teimosos, estamos preparados para andar nisto tanto tempo quanto pudermos.


Como estão as gravações do vosso CD-EP de estreia conseguido com a vitória no Festival de Corroios?
Bem! Começámos no início de Junho, e as coisas estão a evoluir a bom ritmo. O ambiente é muito bom e descontraído, sem pressões, o que ajuda bastante. Não temos propriamente um prazo a cumprir, o que nos permite dar muita atenção aos detalhes. A maioria dos temas já os andamos a tocar há cerca de um ano, como tal já sofreram algumas alterações. Presentemente andamos a estruturar algumas coisas e as opiniões de quem nos está a produzir o CD-EP são sempre bem-vindas.


À parte a vossa banda, de todas as que passaram no Rockastru’s, quais as que acham que mereciam ganhar?
O Rockastru’s é uma referência no circuito de festivais de música moderna, como tal, é muito difícil escolher. Cada um de nós tem as suas preferências no que respeita ao estilo de uma ou outra banda, mas reconhecemos enorme qualidade no trabalho de todos, que muito respeitamos.


Como está a vossa agenda para o verão?

Suficientemente preenchida, mesmo estando a gravar. Fizemos uma pausa nos concertos entre meados de Maio e de Junho, depois de um início de ano que superou as nossas melhores expectativas em termos de agenda. Depois da Final do Rockastru’s vamos regressar ao Maxime, sala onde nos sentimos em casa e, logo a seguir, o Super Bock Super Rock, o que, com pouco mais de um ano de existência, é um marco importante. Em Agosto vamos continuar a experiência pelos palcos de exterior, com o Byonritmos e as Festas de Corroios, entre outros contactos com datas por confirmar para os meses de Verão, que vamos fechar em Cáceres, Espanha, em finais de Setembro, para tocar um par de temas e receber o prémio POP EYE para banda revelação portuguesa do ano.


Alguma mensagem que queiram deixar às outras bandas finalistas?
Os festivais são sempre muito importantes, mas o mais importante no dia 21 vai ser a festa no Kastru's Bar – casa de referência por onde têm passado algumas das melhores bandas do país – e para mais com um público muito fiel, à procura de música alternativa, logo receptivo a todos os géneros de música. A todos desejamos que tudo corra muito bem e que consigamos fazer uma grande festa.

Para mais informações sobre a banda vão a:
http://www.myspace.com/theprofilers7

quarta-feira, 18 de junho de 2008

"Entrevista com...": Sound Shapers

OS Sound Shapers são uns dos finalistas do festival Rock in Santos, em Lisboa. Fomos tentar conhecer melhor a banda, que acedeu com bastante simpatia a uma conversa com o blog.

Quem são os SoundShapers?
Os SoundShapers são uma banda portuguesa de rock alternativo e experimental fundada em 2007: Tomás Wallenstein (voz principal e bateria), Bertrand Charmier (baixo e piano), João Pinheiro (guitarra solo), Afonso Wallenstein (guitarra rítmica e vozes), Francisco Menezes (Tenor Sax). Temos portanto um formato raro de concerto, um vocalista/baterista. Cada membro da banda tem formação musical diferente, de estilos diferentes, do clássico, barroco até ao Jazz Moderno. A nossa música é realmente uma mistura destes vários estilos clássicos e jazzísticos com objectivo final de rock alternativo. É portanto natural que o nosso som seja bastante característico, pois a mistura de estilos leva sempre a criações brutais, quer seja na musica, quer seja mesmo a nível de encarar a vida... Tentamos portanto levar este espírito ao palco, esperando sempre uma reacção positiva do público. Pelo menos temos trabalhado para isso...


Algum de vocês tem projectos paralelos?
Por enquanto nada de realmente sério, mas pode ser que surjam num futuro muito próximo...

Qual a importância que acham que um festival como o Rock in Santos tem no crescimento de uma banda como a vossa?
Penso que um festival como este é muito importante para o crescimento de uma banda de garagem pois dá-nos a possibilidade de tocar ao vivo até quatro concertos até à final e isso é realmente essencial para adquirir experiência musical ao vivo. Permite-nos perceber a reacção do público à nossa musica e trabalhar para o satisfazer a 100%.

O que acham que têm de diferente das outras bandas presentes na final do Rock in Santos que possa dar-vos vantagem? Por outras palavras, o que acham que têm de melhor para oferecer ao vivo?
Bem, cada uma das quatro bandas que se encontram na final têm um estilo rockeiro diferente e portanto uma presença em palco diferente. Acho que o facto de termos um vocalista/baterista pode mostrar a originalidade da banda. As músicas originais da banda como a "Green Dress", a "Sober Dreams" e até a "Dangerous Bonds" são trabalhadas de uma forma única e isso proporciona um concerto com uma sonoridade característica. A personalidade dos membros da banda também é muito especial e pode trazer várias surpresas ao vivo.

Se não estivessem a concurso, qual ou quais seria(m) a(s) vossa(s) banda(s) favorita(s) para a vitória na final de todas as que passaram pelo festival?
Passaram várias bandas muito boas ao longo deste festival Rock em Santos. Pessoalmente gostei muito dos Cratera e dos Lonears.Há uma sonoridade muito escura e misteriosa do lado dos Cratera, com efeitos de guitarra e baixo brutais e uma sonoridade mais colorida e experimental dos Lonears, com uma voz que traz um toque agridoce na musica deles...Mas cada banda que passou pelo festival tem o seu estilo particular, um público diferente mas sempre boa disposição e simpatia, coisa que é essencial num concurso de bandas de garagem como é o Festival Rock em Santos.

Para mais informações sobre a banda vão a:
http://www.myspace.com/soundshapers

segunda-feira, 16 de junho de 2008

"Entrevista com...": Blá Blá Blá

Os Blá Blá Blá vão estar na final do Rockastru's deste ano. A banda de Esposende, com um nome bastante curioso, fala-nos um pouco da sua carreira e das suas ambições para o futuro. E também dos pontos positivos e potencialmente negativos que podem envolver a participação de uma banda em festivais de música competitivos.

Para quem não vos conhece, quem são os Blá Blá Blá?
Os Blá Blá Blá são cinco jovens que têm em comum a paixão pela música. À cerca de quatro anos, três elementos dos Blá Blá Blá (Joel, Marcelo e Luís) fizeram parte de um projecto que infelizmente terminou. As coisas andaram um tempo meio mortas até que entrou para a banda o João e o Gustavo, para a bateria e guitarra, respectivamente. Após várias tentativas de encontrar os restantes elementos, com a entrada dos dois, todos sentimos que tínhamos encontrado uma boa base e, a partir daí, as coisas fluíram naturalmente.

Qual a origem do vosso nome?
O nome foi sugerido pelo Luís e nós achamos que era um nome bastante engraçado e apelativo, pois fica imediatamente na cabeça. Ele “descobriu” o nome através de um álbum do Iggy Pop, "Blah Blah Blah". Ficou.


Que influências são visíveis na vossa música?
Todos nós temos várias influências, uns gostam mais de rock alternativo, progressivo, música electrónica... São várias as influências e cada um exprime isso nas músicas à sua maneira.

Vocês já venceram este ano os festivais de Setúbal e Grândola. Qual a importância que acham que estes festivais para bandas de garagem têm na formação de uma banda e o que têm achado do Rockastru’s em específico?
Estes concursos são uma ajuda muito grande a todas as bandas que só agora começam a mostrar o seu trabalho, porque, no início, as bandas normalmente não têm PA próprio e é difícil arranjarem concertos. Assim, os concursos são uma boa oportunidade para as bandas tocarem e ganharem experiência, e, com um bocado de sorte, ganharem os prémios... Mas também existe um lado perverso, que é o de haver um vencedor e os vencidos. A música é extremamente subjectiva, e como tal, os gostos diferem de pessoa para pessoa. O júri dos concursos avalia tendo em conta os seus gostos pessoais. Com diferentes júris, as bandas vencedoras provavelmente serão outras.

E em relação ao Rockastru's?
Em relação ao Rockastru’s, estamos muito satisfeitos por estarmos na final. Como somos do concelho de Esposende, há já alguns anos que costumamos ir ver as eliminatórias do concurso. Sempre foi um desejo nosso participar no Rockastru’s, pois é um festival com bastante notoriedade. Além disso, pelo bar já passaram grandes bandas, como Wraygunn, Primitive Reason, Slimmy, entre outras.

Como está a vossa agenda para o verão?
Já temos alguns concertos marcados, mas estamos à procura de mais. Vamos tocar em Setúbal, na Feira de Santiago, e em Grândola, na Feira de Exposições como prémio dos concursos que ganhamos. Os concertos ainda não têm data marcada mas em Setúbal é no início de Agosto e em Grândola no final. E no dia 11 de Agosto vamos abrir o concerto dos Linda Martini na Casa da Juventude em Esposende. Já agora, se alguém nos quiser contactar para marcar um concerto, mandem um e-mail para osblablabla@gmail.com.

À parte a vossa banda, de todas as que passaram no Rockastru’s, quais as que acham que mereciam ganhar?
Isso é complicado dizer. Todas as bandas finalistas são bastante boas, e todas elas têm estilos diferentes. Do que vimos e ouvimos, vão ser grandes concertos. Depois, tudo depende do júri. Qualquer uma pode ganhar.

Alguma mensagem que queiram deixar para as outras bandas finalistas?
Em Esposende, quando são realizados concursos de bandas de garagem, existe o costume de todas as bandas visitantes presentearem as bandas concelhias, com eles a concurso, com uma garrafa de Jack Daniel’s 15 anos...

Para mais informações sobre a banda vão a:
http://www.myspace.com/osblablabla

"Entrevista com...": Legal Evidence

Começa hoje a nossa ronda pelas bandas finalistas do Rockastru´s e do Rock in Santos, cujas finais se realizam no próximo fim de semana. Os Legal Evidence são a primeira banda abordada e à qual agradecemos, desde já, a disponibilidade. A conversa foi bastante interessante e andou à volta da música em Portugal e das suas necessidades e urgências. Ficamos também a conhecer as ligações da banda a Terras de Sua Majestade, às quais estão ligadas as suas origens, assim como algumas das suas ambições futuras.

Para quem não vos conhece, quem são os Legal Evidence?
Os Legal Evidence são uma espécie de culto que se transformou numa banda em meados de 2006. Uma banda, um grupo restrito de amigos, formados e ligados por diversas bandas e projectos à volta de uma comunidade local.

Qual a origem do vosso nome?
A origem do nosso nome é de certa forma engraçada.. Os nomes sempre foram algo que nunca ligamos muito. Independentemente de qualquer nome, o que mais nos interessa é o conteúdo. Inicialmente tínhamos o nome de The Evidence. Mais tarde reparamos que já existiam alguns projectos com o mesmo nome. De certa forma não estávamos “legais” se bem se pode dizer. Necessitávamos de resolver essa questão e, como diz o ditado, "para grandes males grandes remédios". Daí a palavra "Legal", que acabou por resolver a questão.


Que influências são visíveis na vossa música?

Bem, influências são mais que muitas.. Basicamente tendo em conta os músicos e as características de cada um, foi só esperar e sentir o que nos sairia mais naturalmente.. Mas é claro que a base tem de ser sempre referenciada. Pode sentir-se um pouco de Zeppelin, Hendrix, Doors e algumas referências contemporâneas, roçando por vezes no Indie. Depende do dia e das luas...


Falem-nos um pouco das vossas ligações a Inglaterra.
A “costela” inglesa desta banda começou antes mesmo do nosso início e provavelmente vai também influenciar o nosso futuro próximo. O vocalista foi residente durante alguns anos (4/5 anos) em alguns países da Europa, sendo um deles a Inglaterra. No início os Legal Evidence eram apenas uma ideia: o Diogo trabalhava com outras bandas de nacionalidade inglesa como instrumentista e voz. Teve oportunidade de fazer algumas tour´s pela Europa. Os Legal Evidence tiveram o seu início durante uma interrupção dessas mesmas datas em que esteve alguns meses em Portugal. Foi assim que nascemos. Com apenas um mês de vida gravamos o nosso primeiro registo ao vivo. Pode ainda ouvir-se um tema desse registo, "Iron Will", no nosso myspace.


Como foi a recepção a esse primeiro registo?

A recepção do projecto pelo público local foi tão boa que logo deu que falar. Mas esse sucesso foi interrompido por mais uma viagem do Diogo para Londres, onde permaneceu durante alguns meses. Mas a vontade de continuar a trabalhar foi mais forte, principalmente através da internet com alguns riffs e ideias enviados tanto do vocalista à banda como ensaios gravados com ideias da banda para o vocalista. Nessa altura, a banda pensou mudar a sua residência para Inglaterra devido também a algumas oportunidades que estavam a surgir na altura..

Qual a importância que acham que os festivais para bandas de garagem têm na formação de uma banda e o que têm achado do Rockastru’s em específico?
Eu acho que seja qual for a iniciativa à volta da própria música, seja um concurso, um festival ou airplay é sempre positivo. Acho que tal como no futebol deveriam existir mais apoios e principalmente mais incentivo a projectos que estão a crescer e que de certa forma são autênticos, se assim se pode dizer.. Fenómenos como os Artic Monkeys podem existir também por cá nem que seja apenas à base da comunidade Lusófona. Há muitas e boas ideias que podem acabar por desaparecer por não existirem oportunidades ou apenas espaços para bandas de covers. Vamos insistir mais em "Marisas" ou em "Moonspell's" que de certa forma parecem apenas ter inicialmente reconhecimento lá fora, para depois poderem ter algum respeito cá dentro. Ou então temos projectos pré-feitos pela própria indústria de consumo rápido. Se assim continuar, num país pequeno como o nosso podemos asassinar a originalidade e a autenticidade que por cá se faz. Pelo contrário, num país grande, o underground pode muitas vezes vir à tona e dar um ar da sua graça, muitas vezes destronando o próprio comercial da coisa...


E quanto ao Rockastru's?
Não querendo fugir à questão inicial, acho que iniciativas como o Rockastru's são muito bem vindas no nosso país e ainda por cima já com alguma tradição. E sempre no meu profundo sentimento que surjam muitos mais Rockastru's e blog´s como “A Nova Música Portuguesa” a incentivar, dando voz e esperança a quem por cá trabalha...

Como está a vossa agenda para o verão?
A nossa agenda para o verão está a ser ainda negociada e será revelada brevemente.

À parte a vossa banda, de todas as que passaram no Rockastru’s, quais as que acham que mereciam ganhar?
À parte o nosso projecto acho que todos os que estão na final têm o seu espaço e qualidade para ganhar. Acho que não podemos considerar vencedores e perdedores nesta fase do campeonato. Ao contrário do desporto, não acredito que a música a partir de determinado nível possa ser considerada melhor ou pior, mas sim diferente.

Alguma mensagem que queiram deixar para as outras bandas finalistas?
Desejo muitos e longos anos de vida a todas! Que tudo vos corra bem, não só no presente como no futuro. Se realmente o querem não desistam! Long live!

Para mais informações sobre a banda vão a:
http://www.myspace.com/legalevidence

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A Nova Música Portuguesa - "Entrevista com...": Dogma

A banda portuense Dogma acaba de lançar "O Segredo", o seu primeiro registo oficial. Do EP "O Segredo" constam os temas "Despir A Pele De Vítima", "Voltar", "Dia Seguinte", "Zé-Ninguém", "Manual De Instruções" e obviamente "O Segredo", canção que dá nome ao álbum.
A banda tem ainda pouco tempo de existência, mas procura nas novas tecnologias a forma de levar da sua música ao maior número de pessoas possível, uma vez que todos os temas foram disponibilizados para download gratuito no seu myspace. Isto mostra uma grande coragem por parte da banda, que não quis esperar por editoras, e que, fundamentalmente, acreditam muito no valor da sua música.
Fomos tentar perceber as expectativas de uma banda que agora arranca, livre, mas com a certeza dos passos a seguir no futuro que se avizinha.

A Nova Música Portuguesa (A.N.M.P.) - Houve um momento específico em que decidiram "a partir de agora só cantamos em português" ou foi algo que surgiu naturalmente?

Dogma (D.) - Os Dogma sempre cantaram em português. Desde o primeiro momento que foi essa a nossa intenção. Eu (Rodrigo) começei a escrever em português já há uns 5 anos e a verdade é que sinto que consigo transmitir a mensagem mais genuinamente dessa forma. No primeiro ensaio o Pedro e o Bruno ainda estavam algo reticentes, mas rapidamente se identificaram com as letras e com o facto de cantar em português.
Isto não significa que não apreciemos bandas portuguesas que cantam em inglês, nada disso. Não somos nada fundamentalistas nessa matéria. Cada um tem toda a legitimidade de escolher em que idioma se quer expressar. Nós preferimos a nossa língua.

A.N.M.P. - Quem escreve as letras e compõe as músicas deste vosso primeiro trabalho, "O Segredo"?

D. - As letras são escritas por mim, as músicas são compostas pelos 4 membros da banda.

A.N.M.P. - Onde e por quem foi gravado o vosso EP?

D. - O nosso EP foi gravado no Boom Studio (estúdio de Pedro Abrunhosa) e no Miramar Sessions, pelo João Bessa.

A.N.M.P - Já conseguiram alguns avanços no sentido de o conseguirem editar?

D. - Não, mas também não sondámos nenhuma editora nesse sentido. Não quisemos ficar à espera de nada nem ninguém para pôr cá fora aquilo em que acreditávamos. Tínhamos músicas com potencial e decidimos que estava na altura de registar o sumo desses 10 meses intensos de composição, ensaios e concertos.
Agora sim, vamos ver até que ponto encontramos entidades com potencial e interesse no nosso trabalho, a fim de podermos estabelecer algumas parcerias.



A.N.M.P. - Quais as influências musicais mais marcantes neste vosso primeiro trabalho?

D. - Temos variadíssimas influências, embora pessoalmente ache que o nosso som acaba por não ser parecido com nenhuma das coisas que mais gostamos. É como que se filtrássemos milhares de influências e elas se fundissem numa identidade sonora nova.
Mas se quiseres nomes de bandas, podemos dizer-te que Alice in Chains, Muse, Radiohead, Stone Temple Pilots, Red Hot (até ao One Hot Minute), Guns N.. Roses ou Led Zeppelin são algumas das mais consensuais entre os 4...depois podemos ir desde um Sting até uns Pantera, passando por Franz Ferdinand, The Killers ou Jeff Buckley. Muita coisa diferente, portanto.
Em termos nacionais diria que algumas coisas de Clã, Zen, Ornatos, Blind Zero, Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, GNR.

A.N.M.P - Quais as vossas expectativas para este primeiro trabalho?

D. - O nosso grande objectivo é darmo-nos a conhecer. Acreditamos muito na nossa música e no nosso trabalho e achamos que é um tipo de som com o qual bastante gente se poderá identificar. Nesse sentido, a expectativa é chegar ao maior número de pessoas possível.

A.N.M.P - O que esteve na base da decisão de o disponibilizarem para download gratuito?

D. - Exactamente o mesmo pressuposto: não colocar qualquer tipo de barreiras a quem tiver curiosidade ou interesse em ouvir uma nova banda portuguesa a tocar rock em português.

A.N.M.P. - Como tem sido a recepção a este vosso primeiro trabalho? Já têm alguma ideia?

D. - Tem sido bastante boa. Toda a gente, desde amigos a músicos de bandas nacionais de topo nos tem feito elogios. Nós também ficámos satisfeitos com o resultado; para um primeiro registo de uma banda que nem um ano tinha quando entrou em estúdio, temos que estar contentes com o que conseguimos criar.

A.N.M.P. - Algum de vocês tem outros projectos musicais paralelos?

D. - Neste momento o nosso único investimento musical é nos Dogma.

A.N.M.P. - Têm tentado participar nos vários Festivais de Música Moderna que existem em Portugal (Corroios, Gondomar, Viseu...)? Que papel acham que têm no panorama musical Português? Acham que são demasiado fechados em si mesmos ou, pelo contrário, permitem abrir portas e dar projecção aos participantes?

D. - Achamos que são importantes no sentido de darem oportunidade às bandas de tocarem ao vivo, mas o espírito de competição não é bem a nossa onda...além de que, muitas vezes, há estilos musicais tão diferentes em disputa que é impossível dizer que uma banda merece mais ganhar do que outra. Além disso, não me lembro de nenhuma banda que tenha ido muito longe após ganhar esse tipo de concursos, tirando o Termómetro Unplugged há muitos anos atrás.

A.N.M. P.- Por último: com que banda portuguesa e estrangeira gostariam de tocar uma música?

D. - Portuguesa: Xutos e Pontapés; Estrangeira: Stone Temple Pilots.

De assinalar que os Dogma vão estar no programa Aquário, do Porto Canal neste domingo às 14h e actuarão, entre outros, em várias FNAC's. E não se esqueçam de fazer o download das músicas d 'O Segredo'. É gratuito... Para informações mais detalhadas sobre a banda vão a:

http://www.myspace.com/ouvedogma